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Overview de Mercado

Abril de 2026

O mercado subiu, mas o risco também

Abril foi um mês de contrastes importantes para os mercados. No Brasil, a Selic voltou a cair, o Ibovespa chegou a encostar nos 200 mil pontos e o dólar terminou abaixo de R$ 5 pela PTAX. Ao mesmo tempo, a inflação voltou a incomodar nas prévias, o IGP-M acelerou com força e a geopolítica manteve o petróleo no centro das preocupações globais.

Lá fora, as bolsas tiveram forte recuperação, especialmente nos Estados Unidos e na Ásia, mesmo com o Federal Reserve ainda cauteloso. O pano de fundo segue sendo o mesmo: mercados dispostos a precificar crescimento, mas bancos centrais ainda presos à inflação.

Confira abaixo os destaques detalhados.


Resultados dos principais índices

Brasil

Ibovespa (-0,08%)

Estados Unidos

Dow Jones (+7,14%)

S&P 500 (+10,42%)

Nasdaq 100 (+15,64%)

Europa

Euro Stoxx 50 (+5,60%)

Japão

Nikkei 225 (+16,10%)

China

CSI 300 (+8,03%)


Destaques nacionais

1. Selic cai para 14,50%, mas inflação limita cortes mais fortes

O Copom reduziu a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano em 29 de abril, em um corte de 0,25 ponto percentual. Foi o segundo corte consecutivo do ciclo, acumulando queda de 0,50 ponto percentual desde março.

A decisão veio em um ambiente ainda delicado. O Boletim Focus projetava IPCA de 2026 em 4,86%, acima do teto de 4,5% da meta contínua. Além disso, o IPCA-15 de abril acelerou para 0,89%, com pressão de combustíveis e alimentos, enquanto a guerra no Oriente Médio manteve o petróleo como risco relevante para inflação e expectativas.

Impacto: A Selic caiu, mas a inflação e a alta do petróleo, pressionada pela guerra no Oriente Médio, ainda limitam o espaço para cortes mais fortes. Para o investidor, isso preserva a relevância da renda fixa, mantém o custo de capital elevado e exige cuidado com ativos sensíveis à taxa de juros.

2. Ibovespa encosta nos 200 mil pontos, mas fecha abril quase estável

O Ibovespa atingiu 199.232 pontos na máxima intradiária de 15 de abril e superou, segundo levantamento do Poder360 com dados da B3, o topo histórico corrigido pela inflação pela primeira vez desde 2008. No dia anterior, o índice havia fechado em 198.657 pontos, no 18º recorde nominal de 2026.

O fluxo estrangeiro foi um dos motores do movimento. A entrada líquida de capital externo somava R$ 67,8 bilhões no ano até 13/04, com saldo positivo de R$ 14,4 bilhões apenas na parcial de abril. Apesar da euforia intramês, o fechamento mensal foi praticamente estável: o Ibovespa encerrou abril em 187.318 pontos, queda de 0,08% contra o fim de março.

Impacto: O mês mostrou apetite por Brasil, mas também deixou claro que recorde intramês não é o mesmo que tendência consolidada. Para carteiras locais, fluxo estrangeiro ajuda, mas aumenta a sensibilidade a choques externos, petróleo e mudanças no humor global.

3. Desemprego sobe a 6,1% no trimestre até março, mas segue baixo

A PNAD Contínua mostrou taxa de desocupação de 6,1% no trimestre encerrado em março. Houve alta sazonal no início do ano, mas o nível ainda foi o menor já registrado para um 1º trimestre.

O dado veio acompanhado de sinais de renda firme. O rendimento médio habitual chegou a R$ 3.722, com alta de 1,6% no trimestre e 5,5% em 12 meses. A população ocupada ficou em 102 milhões de pessoas, enquanto a informalidade alcançou 37,3%.

Impacto: O mercado de trabalho resiliente sustenta consumo, renda e arrecadação, mas também reduz a velocidade da desinflação em serviços. Para o Banco Central, esse é mais um motivo para cortar juros com cautela.

4. IGP-M sobe 2,73% e reacende alerta de custos

O IGP-M acelerou de 0,52% em março para 2,73% em abril, acima da mediana de 2,53% das expectativas coletadas pelo Valor/Reuters para o índice no mês. Foi a maior alta mensal desde maio de 2021, quando o índice havia subido 4,10%.

A pressão veio principalmente de matérias-primas, petroquímicos e combustíveis, em meio ao choque geopolítico no Estreito de Ormuz. Na abertura do índice, gasolina subiu 6,3% e diesel avançou 14,9% no varejo. Em 12 meses, o IGP-M acumulava 0,61%, e no ano, 2,93%.

Impacto: Por capturar pressões no atacado, custos de produção e reajustes de contratos, o IGP-M pode funcionar como sinal antecedente de parte das pressões que chegam ao consumidor. Para investidores e famílias, o dado reforça a necessidade de acompanhar a inflação medida pelo IGP-M, como forma de possivelmente antecipar uma alta na inflação medida pelo IPC-A.

5. Reforma tributária entra na fase operacional

Abril marcou uma nova etapa da reforma tributária. O Decreto nº 12.955/2026, publicado em 30 de abril, regulamentou a CBS, tributo federal criado pela Lei Complementar nº 214/2025. No mesmo período, o Comitê Gestor publicou o regulamento do IBS, com 617 artigos.

A agenda deixou de ser apenas discussão política e passou a exigir adaptação operacional. Empresas precisarão rever sistemas, créditos tributários, obrigações acessórias, contratos, regimes específicos e impactos de caixa. O regulamento do IBS inclui normas comuns com a CBS e regras específicas para o imposto compartilhado por estados e municípios.

Impacto: Para empresários e famílias com participação em empresas, a reforma tributária passa a afetar planejamento, margem e governança fiscal. A mudança é gradual, mas a preparação precisa começar antes que sistemas, contratos e obrigações acessórias estejam plenamente adaptados.

Destaques internacionais

1. Petróleo e Oriente Médio viram o principal risco global de abril

A guerra no Oriente Médio e as tensões no Estreito de Ormuz dominaram o mapa de riscos em abril. O Brent chegou a superar US$ 126 por barril no pico do estresse, antes de perder força e encerrar o mês em US$ 114,01.

Apesar da queda mensal de 3,67%, a volatilidade do petróleo mostrou como energia, fretes, fertilizantes e combustíveis seguem sensíveis à geopolítica. A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep em 1º de maio reforçou a incerteza sobre a coordenação de oferta do cartel.

Impacto: Petróleo caro ou volátil afeta inflação, juros, câmbio e margens corporativas. Para o investidor, o risco não está apenas no preço do barril, mas na transmissão para expectativas e decisões dos bancos centrais.

2. Fed mantém juros e mostra divisão interna

O Federal Reserve manteve a faixa dos Fed funds entre 3,50% e 3,75% ao ano em 29 de abril. O comunicado indicou atividade econômica ainda sólida, inflação elevada e incerteza ampliada pelos desdobramentos no Oriente Médio.

A votação chamou atenção. O texto teve 8 votos favoráveis, 1 dissenso por corte de 0,25 ponto percentual e 3 dissensos contra a inclusão de viés de afrouxamento naquele momento. A divisão reforça que o Fed está diante de um cenário menos linear: crescimento ainda forte, inflação pressionada e risco de energia no radar.

Impacto: Juros americanos altos por mais tempo afetam dólar, bolsas globais, emergentes e custo de hedge. Para carteiras com exposição internacional, a trajetória do Fed segue sendo uma das variáveis mais importantes do ano.

3. Wall Street sobe forte apesar do Fed cauteloso

Mesmo com o Fed mantendo juros e adotando tom prudente, abril foi um mês forte para as bolsas americanas. O S&P 500 avançou 10,42%, o Nasdaq 100 subiu 15,64% e o Dow Jones teve alta de 7,14%.

A alta sugere que o mercado privilegiou crescimento, resultados corporativos e apetite por risco, ao menos por enquanto. No caso do Nasdaq 100, o movimento também refletiu a força da tese de tecnologia e inteligência artificial.

Impacto: O rali mostra que juros altos não impedem valorização quando lucros e crescimento sustentam o movimento. Mas também aumenta a sensibilidade a qualquer frustração com inflação, resultados ou novas altas nos juros.

4. Europa sobe, mas inflação e crescimento fraco limitam o otimismo

As bolsas europeias também tiveram bom desempenho. O Euro Stoxx 50 subiu 5,60% em abril, em um movimento de recuperação que acompanhou a melhora global do apetite por risco.

O pano de fundo macro, porém, foi menos confortável. A inflação anual estimada da zona do euro subiu para 3,0% em abril, ante 2,6% em março, enquanto o PIB da área do euro cresceu apenas 0,1% no 1º trimestre. A combinação de inflação mais alta e crescimento fraco torna a calibragem do BCE mais difícil.

Impacto: A Europa viveu um paradoxo: bolsas em alta, mas economia real ainda frágil. Para o investidor global, isso reforça a importância de diferenciar recuperação de preços de melhora estrutural dos fundamentos.

5. China cresce 5,0% no 1T26 e sustenta commodities

A China cresceu 5,0% no 1º trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o National Bureau of Statistics. O resultado ficou em linha com a meta oficial do governo, de crescimento em torno de 5% para o ano.

Em abril, o PMI industrial oficial ficou em 50,3 pontos, ainda acima da linha de 50 que separa expansão de contração. Os lucros industriais também avançaram 15,5% no acumulado do trimestre, com alta de 19,1% na manufatura. Por outro lado, o consumo ainda mostrou composição irregular: o varejo cresceu, mas alguns segmentos, como veículos, seguiram pressionados.

Impacto: A China segue crescendo em ritmo próximo ao objetivo oficial e ajuda a sustentar commodities e ativos asiáticos. Ao mesmo tempo, a fraqueza em parte do consumo e no setor imobiliário impede uma leitura excessivamente otimista.

6. Nikkei e bolsas asiáticas lideram a recuperação global

A Ásia teve um dos movimentos mais fortes do mês. O Nikkei 225 avançou 16,10% em abril, impulsionado pela recuperação global do apetite por risco, tecnologia e exportadoras japonesas. Na China, o CSI 300 subiu 8,03%, apoiado por dados ainda positivos de atividade e pela melhora do humor com mercados emergentes.

O movimento também teve efeito de recomposição. Após a correção observada em março, parte dos investidores voltou a aumentar exposição à região, especialmente em mercados com alta liquidez e sensibilidade ao ciclo global.

Impacto: A alta melhora condições financeiras na Ásia, mas também deixa os mercados mais vulneráveis a petróleo, câmbio, resultados corporativos e frustrações com a atividade chinesa.

7. IA sustenta big techs, mas aumenta cobrança por retorno

A inteligência artificial continuou no centro das discussões sobre big techs em abril. O tema apareceu tanto nos resultados corporativos quanto nos planos de investimento em infraestrutura, data centers, chips, energia e redes.

O ponto central para o mercado deixou de ser apenas crescimento. Com os investimentos ficando cada vez maiores, investidores passaram a olhar com mais atenção para monetização, margem e retorno sobre o capital aplicado.

Impacto: A tese de IA continua relevante para tecnologia, semicondutores e nuvem. Mas o investidor já começa a diferenciar empresas que apenas anunciam crescimento daquelas capazes de transformar investimento em receita, margem e geração de caixa.

Análises e insights

O que a declaração de IRPF revela sobre seu patrimônio

Com a temporada de declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, muita gente enxerga esse processo apenas como obrigação fiscal. Mas, para quem construiu patrimônio ao longo da vida, a declaração também pode funcionar como um raio-x da vida financeira.

Ao reunir informes de bancos, corretoras, previdência, fundos, imóveis, participações societárias, rendimentos e dívidas, a declaração mostra algo que nem sempre aparece no dia a dia: a estrutura real do patrimônio. Ela ajuda a enxergar concentração excessiva, ativos esquecidos, desalinhamento entre liquidez e objetivos, exposição cambial, renda recorrente e até pontos que merecem organização sucessória ou societária.

Esse olhar é especialmente importante em um momento como o atual. Abril trouxe queda da Selic, mas ainda com inflação pressionada; bolsas globais em forte alta, mas com juros americanos elevados; e geopolítica influenciando petróleo, câmbio e expectativas. Ou seja, o ambiente segue exigindo organização, diversificação e clareza sobre o papel de cada ativo na carteira.

A declaração pode ser um bom ponto de partida para conversas importantes: a carteira está coerente com seus objetivos? A liquidez está adequada? Os riscos estão distribuídos? O patrimônio está fácil de acompanhar e declarar? Há estruturas que precisam ser simplificadas?

Esse processo também reforça a importância de olhar o patrimônio como um todo. Quando o planejamento financeiro é feito de forma integrada, com boa conexão entre o planejador da Aplix e o contador do cliente, a leitura fica mais completa: os dados fiscais ajudam a organizar a estratégia patrimonial, e a estratégia patrimonial ajuda a dar mais clareza às decisões fiscais e sucessórias.

Em qualquer patrimônio bem construído, a qualidade da organização muitas vezes importa tanto quanto a escolha dos ativos. Um portfólio precisa ser compreensível, rastreável e alinhado ao planejamento de longo prazo. O IRPF, quando usado com esse olhar, deixa de ser apenas uma entrega anual e vira uma oportunidade de revisão.


Calendário econômico do próximo mês

  • 12/05IPCA e INPC de abril. Principal validação da inflação cheia do mês.
  • 14/05PNAD Contínua Trimestral. Atualiza a leitura sobre mercado de trabalho no 1T26.
  • 27/05IPCA-15 de maio. Mostra se a pressão de abril continua ou perde força.
  • 28/05PNAD mensal e IPP de abril. Atualiza emprego e inflação ao produtor, ambos relevantes para o BC.
  • 29/05Contas Nacionais Trimestrais. Traz nova leitura sobre crescimento econômico no 1T26.

Fontes: calendários oficiais IBGE e FGV/IBRE. Datas sujeitas a alteração pelos órgãos responsáveis.


Abril deixou uma mensagem clara: os mercados voltaram a respirar melhor, mas o cenário ainda pede disciplina. A queda da Selic ajuda, a recuperação das bolsas anima e o câmbio mais comportado alivia parte das pressões. Ainda assim, inflação, petróleo, juros globais e geopolítica seguem no centro das decisões. Para atravessar esse ambiente, mais do que buscar respostas rápidas, vale revisar se a estratégia segue bem estruturada, diversificada e coerente com seus objetivos junto ao assessor. Esses foram os principais destaques de abril. Conte conosco para acompanhar as movimentações que impactam seus investimentos!

Até breve,

Yuri Veras CavalcanteCFP®

Sócio e CCO da Aplix Capital Group

Planejador financeiro certificado (CFP®), acompanha o cenário econômico e assina a leitura mensal da Aplix sobre mercados e patrimônio.

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As análises refletem a leitura da Aplix na data de publicação e podem mudar sem aviso. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Toda decisão de investimento deve considerar o perfil e os objetivos de cada investidor.