Overview de Mercado
Maio de 2026
Nasdaq sobe 10,5%, Ibovespa cai 7,2%
Maio reforçou uma mensagem importante para os mercados: o alívio existe, mas ainda vem com limites. No Brasil, a Selic atravessou o mês em 14,50% a.a., após a decisão do fim de abril, enquanto inflação, atividade e emprego continuaram exigindo cautela.
Lá fora, as bolsas globais avançaram com força, puxadas principalmente por tecnologia e inteligência artificial. Ainda assim, juros americanos, energia, geopolítica, China e risco fiscal seguiram impedindo uma leitura simples de otimismo.
O resultado foi um mês de maior seletividade. O investidor precisou olhar menos para manchetes isoladas e mais para a combinação entre preço dos ativos, qualidade dos dados e custo do dinheiro.
Confira abaixo os destaques detalhados.
Resultados dos principais índices
Brasil
Ibovespa (-7,22%)
Estados Unidos
Dow Jones (+2,78%)
S&P 500 (+5,15%)
Nasdaq 100 (+10,50%)
Europa
Euro Stoxx 50 (+2,87%)
Japão
Nikkei 225 (+11,88%)
China
CSI 300 (+1,76%)
Destaques nacionais
1. Inflação ainda limita a velocidade da queda de juros
O IPCA de abril, divulgado em maio, subiu 0,67% e acumulou 4,39% em 12 meses. A prévia de maio, medida pelo IPCA-15, ficou em 0,62% no mês e 4,64% em 12 meses. Mesmo com alguma melhora pontual em combustíveis, a inflação continuou desconfortável para um ciclo de queda de juros mais rápido.
Esse quadro ajuda a explicar por que a Selic, em 14,50% a.a. no fim de maio, ainda funciona como freio para consumo, crédito e valor de mercado das empresas. A mensagem central não é que os juros deixaram de cair, mas que o ritmo da queda segue condicionado à inflação e às expectativas.
2. PIB de 1,1% mostra uma economia ainda resiliente
O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 frente ao trimestre anterior. Pela ótica da produção, o IBGE destacou alta de 2,0% na agropecuária, 1,0% na indústria e 0,5% nos serviços. A atividade, portanto, entrou em maio com mais força do que uma leitura superficial dos juros elevados poderia sugerir.
Essa resiliência é positiva para emprego, renda e resultados corporativos, mas também tem um efeito menos intuitivo: reduz a urgência para cortes de juros mais agressivos. Uma economia que ainda cresce com alguma tração dá ao Banco Central mais espaço para esperar sinais melhores de inflação.
3. Emprego segue forte, mas o formal perdeu velocidade
A PNAD Contínua mostrou taxa de desemprego de 5,8% no trimestre encerrado em abril. O nível segue baixo em termos históricos e indica um mercado de trabalho ainda capaz de sustentar renda. Ao mesmo tempo, o Novo Caged registrou saldo de +85.888 empregos formais em abril, uma criação positiva, mas mais fraca do que o ritmo observado em meses anteriores.
Essa combinação merece atenção porque separa nível de ritmo. O mercado de trabalho continua apertado, mas a criação formal já dá sinais de menor velocidade. Isso ajuda a explicar por que consumo e crédito ainda não apontam para uma virada ampla, mesmo com desemprego baixo.
4. Bolsa brasileira caiu enquanto o exterior avançou
O Ibovespa encerrou maio em queda de 7,22%, enquanto S&P 500, Nasdaq 100, Euro Stoxx 50 e Nikkei 225 subiram no mês. O dólar PTAX venda fechou maio em R$ 5,0569, alta de 1,37% em relação ao fechamento de abril.
A divergência mostrou que o Brasil ficou mais sensível a fatores locais, como bancos, juros e câmbio, enquanto o exterior se beneficiou do apetite por tecnologia. Em maio, o investidor que olhou apenas para bolsas globais viu um mês positivo; quem olhou para o índice brasileiro viu uma história bem diferente.
5. Reforma Tributária entrou na fase operacional
Em maio, a Reforma Tributária deixou de ser apenas um debate conceitual e passou a aparecer com mais força na rotina operacional das empresas. A Receita Federal prorrogou prazo para envio de sugestões sobre a regulamentação, enquanto o Serpro detalhou sistemas ligados à arrecadação de CBS e IBS.
O ponto relevante é que a transição exige mais do que interpretação jurídica. Empresas precisarão adaptar sistemas fiscais, contratos, preços, créditos tributários e rotinas de governança. O tema também alcança áreas próximas ao patrimônio do cliente, como aluguéis, agro, serviços e empresas com grande volume de notas fiscais.
6. Agro combina safra recorde, exportações fortes e custos em alta
A Conab estimou a produção brasileira de grãos em 358 milhões de toneladas na safra 2025/26, volume recorde. Também houve leitura positiva para exportações, com a ANEC projetando embarques de soja de 15,87 milhões de toneladas em maio.
Ao mesmo tempo, o setor não vive apenas uma história de volume. Custos de fertilizantes, defensivos, logística, clima e crédito seguem relevantes para a margem do produtor. O risco climático para o segundo semestre entrou no radar, enquanto a dependência da demanda chinesa continuou sendo uma peça importante para soja e milho.
Destaques internacionais
1. Fed manteve juros altos no radar com inflação resistente
O Federal Reserve manteve os juros básicos americanos entre 3,50% e 3,75% na reunião de 28 e 29 de abril, com ata divulgada em maio. Os dados seguintes reforçaram a cautela: o CPI americano subiu 0,6% em abril e acumulou 3,8% em 12 meses, enquanto o PCE também avançou 0,4% no mês e 3,8% em 12 meses.
O mercado de trabalho mostrou alguma perda de tração, com criação de +115 mil vagas em abril e desemprego de 4,3%, mas não o suficiente para mudar sozinho a postura do Fed. O banco central americano continuou preso entre inflação acima da meta e atividade que ainda não aponta recessão.
2. IA sustentou tecnologia, mas elevou a cobrança por retorno
A inteligência artificial continuou sendo um dos principais motores das bolsas globais. O Nasdaq 100 subiu 10,50% em maio, em um mês no qual as grandes empresas de tecnologia seguiram atraindo capital pela expectativa de ganhos com IA, automação, nuvem e produtividade.
Mas o debate ficou mais exigente. Estimativas citadas no período apontaram investimentos de US$ 130 bilhões no primeiro trimestre e planos anuais de até US$ 720 bilhões em IA entre grandes empresas de tecnologia. O mercado passou a olhar não apenas para crescimento, mas para energia, centros de dados, semicondutores, geração de caixa e tempo de retorno.
3. Europa melhorou em bolsa, mas inflação e BCE mantêm cautela
O Euro Stoxx 50 avançou 2,87% em maio, acompanhando a recuperação dos ativos globais. Ainda assim, a inflação da zona do euro ficou em 3,0% em abril, acima da meta do Banco Central Europeu, com contribuição relevante de serviços e energia.
O BCE também publicou em maio seu Financial Stability Review, alertando que vulnerabilidades financeiras permaneciam elevadas em meio a estresse geoeconômico, energia e dívida. Ou seja, a melhora dos preços de mercado não apagou as fragilidades macro e financeiras da região.
4. China estabilizou a indústria, mas com demanda fraca
O PMI manufatureiro oficial da China ficou em 50,0 em maio, exatamente no limite entre expansão e contração. A produção ainda se manteve acima de 50, mas novos pedidos ficaram em 49,9, sugerindo uma recuperação pouco homogênea.
O PMI privado Caixin/S&P Global apontou 51,8, ainda em expansão, mas abaixo da leitura anterior. A combinação indica que parte da indústria segue ativa, especialmente em segmentos privados e exportadores, enquanto a demanda doméstica ainda parece insuficiente para mudar o humor global sozinha.
5. Petróleo caiu no mês, mas a geopolítica continuou viva
O Brent caiu 17,40% em maio e fechou o mês em US$ 91,12 por barril, refletindo expectativa de menor prêmio de risco no Oriente Médio e ajustes de oferta. Ainda assim, o caminho foi volátil, com o petróleo reagindo rapidamente a notícias sobre Estados Unidos, Irã e o Estreito de Ormuz.
Esse movimento é importante porque energia conecta vários temas: inflação, juros, câmbio, Petrobras, custos de transporte e confiança global. Mesmo com queda no fechamento mensal, o risco de choque de oferta não desapareceu.
6. Risco fiscal dos EUA voltou ao radar global
Maio também trouxe de volta a discussão sobre dívida pública americana, déficit e custo de rolagem. Em um ambiente de juros ainda elevados, o mercado passou a olhar com mais atenção para leilões do Tesouro, prêmio nos juros longos e confiança na trajetória fiscal dos Estados Unidos.
O ponto não é que a dívida americana seja uma novidade, mas que ela pesa mais quando inflação e juros já estão pressionados. Se o investidor exige prêmio maior para financiar o governo dos EUA, esse custo se espalha para outros mercados, inclusive emergentes.
Análises e insights
O custo real da inteligência artificial
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa tecnológica e virou uma linha pesada de investimento. Em maio, o mercado seguiu premiando empresas ligadas ao tema, mas começou a cobrar uma conta mais completa: centros de dados, semicondutores, energia, capital humano, segurança, licenças de dados e retorno financeiro.
Essa é uma mudança importante. Nos primeiros momentos de uma grande tese de crescimento, o investidor costuma aceitar gastos elevados em troca de liderança futura. Com a IA, essa fase ainda existe, mas está ficando mais exigente. Investimento bilionário precisa aparecer em produtividade, receita, margem ou defesa competitiva.
O custo de energia é um bom exemplo. Centros de dados demandam capacidade elétrica estável, infraestrutura de transmissão e contratos de longo prazo. Isso aproxima tecnologia de setores que antes pareciam distantes, como energia elétrica, gás, mineração, semicondutores e construção pesada.
Para o cliente Aplix, a mensagem é menos sobre escolher uma empresa específica e mais sobre entender a cadeia. IA pode continuar sustentando bolsas globais, mas a criação de valor tende a se concentrar em quem consegue transformar investimento em retorno mensurável. O mercado segue interessado na tese, mas está menos disposto a pagar por promessas sem evidência.
Calendário econômico do próximo mês
- 10/06CPI dos EUA de maio. Principal termômetro de inflação para o Fed antes da decisão de junho.
- 11/06Inflação ao produtor dos EUA de maio. Ajuda a medir pressões de custos antes da decisão do Fed.
- 12/06IPCA de maio no Brasil. Mostra se a inflação cheia começou a aliviar ou seguiu pressionada.
- 16 e 17/06Decisões do Copom e do Fed. Dois bancos centrais relevantes para juros, câmbio e ativos de risco.
- 25/06IPCA-15 de junho, Relatório de Política Monetária e PCE dos EUA. Atualizam a leitura de inflação no Brasil e nos Estados Unidos.
- 26/06PNAD Contínua mensal. Mede força do mercado de trabalho e sustentação da renda.
Fontes: IBGE, Banco Central do Brasil, Federal Reserve, BLS e BEA.
Maio reforçou que o investidor precisa conviver com sinais mistos. No Brasil, atividade e emprego seguem firmes, mas inflação e juros ainda pedem disciplina. No exterior, tecnologia segue puxando os mercados, mas o custo do dinheiro, a energia e a geopolítica continuam no centro da análise. Esses foram os principais destaques de maio. Conte conosco para acompanhar as movimentações que impactam seus investimentos.
Até breve,
Yuri Veras CavalcanteCFP®
Sócio e CCO da Aplix Capital Group
Planejador financeiro certificado (CFP®), acompanha o cenário econômico e assina a leitura mensal da Aplix sobre mercados e patrimônio.
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